Voo solo

Olá! Tudo bem?

O ano de intercâmbio é único, não só pelas experiências acadêmicas, mas também pela oportunidade de se aventurar e fazer coisas que você jamais imaginou. Diante disso, quero te contar sobre minha mais recente descoberta.

Eu sempre quis conhecer Chicago, no estado de Illinois. Queria ver com meus próprios olhos alguns pontos turísticos famosos da cidade, como “the bean” (aquela escultura em formato de feijão que reflete vários prédios, no centro de Chicago), a Sears Tower, o Navy Pier e o Michigan Lake.

“The Bean” ou “Cloud Gate”, um dos símbolos de Chicago

“The Bean” ou “Cloud Gate”, um dos símbolos de Chicago

Portanto, desde o começo do ano, iniciei uma busca desenfreada por uma passagem de avião bem baratinha para a “cidade dos ventos”. Você não imagina a minha empolgação ao encontrar a passagem que eu tanto sonhara por um preço muito amigável, justamente em um feriado. Comprei-a rápido, toda animada, e só depois me dei conta de um probleminha: quem iria comigo? Liguei preocupada para meus amigos que moram em Boston e todos já tinham compromissos agendados naquele feriado. Liguei até para a minha prima, que mora no Colorado, e ela também não podia. Minhas esperanças foram minadas por cada tentativa frustrada de arranjar uma companhia para a viagem. E agora? Eu já comprara a passagem! O que eu ia fazer?

Foi aí que a resposta, que estivera bem na minha frente o tempo todo, surgiu óbvia e cristalina: eu vou sozinha! E apesar de estar inicialmente insegura com isso, foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Esse post, porém, não é sobre a viagem para Chicago. A cidade é apaixonante, mas isso sempre foi evidente. O texto de hoje é sobre aprender a ser sua própria companhia – e estar feliz da vida com isso!

Lago Michigan

Lago Michigan

Chicago foi a minha primeira viagem sozinha de verdade. Sozinha, sem nenhum familiar me buscando no aeroporto, sem uma “host mother” me esperando com comida quentinha, sem outros intercambistas me aguardando no destino. Sozinha, sem conhecer ninguém no avião, no hostel, na cidade.

Perdi a conta de quantas vezes ouvi da família e dos amigos “Você vai sozinha, mesmo?”, “Tem certeza?”. Sim, viajei pra Chicago completamente sozinha, e foi uma das melhores experiências da minha vida.

No começo, me achei meio boba por estar encarando isso como algo marcante. Não era como se eu estivesse mochilando sozinha pela Ásia! Mas depois, percebi que era exatamente o contrário: é algo grande e marcante, sim! Quantas pessoas de 22 anos você conhece que já fizeram isso? Quantas pessoas de 90 anos você conhece que já fizeram isso? Pois bem, viajar sozinho não é uma coisa tão trivial assim… É preciso muita coragem, e eu deveria sim ter muito orgulho de mim mesma por isso.

Não é como se eu fosse preferir viajar sozinha de agora em diante. Eu queria mesmo era ter pai, mãe, irmã, namorado e os amigos todos viajando junto. Mas às vezes não dá, paciência. O que eu aprendi é a trocar o “só vou se você for” por “vai ser um prazer se você me acompanhar”.

Viajar sozinha é também se desligar completamente do celular, e ficar conectado muito mais intensamente ao lugar e a você mesmo. É aprender muito muito mais sobre a história da cidade onde você está. É ficar conversando com o dono do restaurante sobre a infância dele na Grécia, e com o motorista do Uber sobre a rivalidade entre os Cubs e os White Sox, os dois times de beisebol de Chicago. É ser olhada com estranheza pelos recepcionistas de todos os restaurantes quando você pede “mesa pra 1.” E abrir um sorriso largo ao responder “sim, 1. Pode ser a mesa da janela?”. É poder fazer todas as suas vontades. Viajar sozinha é, por fim, se jogar de cabeça pra baixo e de pernas pro ar em uma cidade nova e em você mesmo. Que venha a próxima aventura!

Do topo da Willis Tower (mais conhecida como Sears Tower), o segundo prédio mais alto do ocidente, depois do One World Trade Center, em Nova York

Do topo da Willis Tower (mais conhecida como Sears Tower), o segundo prédio mais alto do ocidente, depois do One World Trade Center, em Nova York

Te vejo na semana quem vem!

 

Carol Martines

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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

 

“Ou a vida é uma audaciosa aventura, ou não é nada.”. (Helen Keller)