I know what you did last summer

Oi, tudo bem com você?

Comigo, não poderia estar melhor! E há um grande responsável por isso: finalmente, começou o verão! Sem sombra de dúvidas, o verão mais esperado dos meus 22 anos de vida. Enquanto no Brasil muitas vezes nem nos damos conta da mudança de estações, aqui em Boston o solstício de verão, no dia 21 de junho, foi muito comemorado. O vídeo abaixo foi gravado neste dia no Public Garden, meu lugar favorito da cidade. Festejando a nova estação, a banda tocava a música “Sweet Caroline”, um dos hinos de Boston.

Apesar de alguns dias quentes durante a primavera, ainda houve vários momentos bem gelados. Por exemplo, na semana retrasada, em torno do dia 5 de junho, a máxima foi de 8 graus. Sim, 8 graus em pleno junho. Contudo, aparentemente, agora o calor veio para ficar – ou pelo menos, é o que eu espero! Torça por mim!

O verão de Boston, porém, tem suas peculiaridades. Analogamente ao inverno, que é MUITO frio, o verão também é extremamente quente, chegando facilmente aos 35, 40 graus. Parece que a capital de Massachusetts é do tipo “tudo ou nada”! Eu obviamente não estou reclamando: prefiro com toda a certeza esse calor absurdo ao inverno gélido. Uma das melhores partes é que escurece super tarde, só depois das 9 horas da noite, então os dias são muito bem aproveitados.

Curtindo o sol na Georges Island, ilha em Boston

Curtindo o sol na Georges Island, ilha em Boston

Adoraria encher esse post de fotos lindas do verão de Boston, mas apesar da nova estação e do delicioso estado de espírito que tomaram conta da cidade, infelizmente não é do lado de fora que estou passando a maior parte dos dias. Como eu trabalho no laboratório, não tenho as férias oficiais de quase 4 meses (sim, tudo isso!) das quais os demais estudantes universitários de Harvard usufruem. E, conforme as pesquisas progridem, há cada vez mais afazeres.

Sobre a minha pesquisa, quero te explicar porque eu falo tão pouco sobre isso no blog, sendo que eu passo a grande maioria do meu tempo dentro do laboratório: ciência é repetição. Por mais que você descubra algo incrível, você precisa repetir aquele experimento diversas vezes, até o resultado ser consistente e poder ser publicado para a comunidade científica. Portanto, por menos empolgante que possa soar, é a verdade: meus dias, semanas e meses no laboratório de Harvard são muito parecidos. Veja bem, não é como se minha vida fosse um tédio. Estou adorando a experiência, só não quero entediar você, meu caro amigo leitor.

Uma atividade clássica no laboratório: etiquetar e identificar dezenas de tubinhos

Uma atividade clássica no laboratório: etiquetar e identificar dezenas de tubinhos

Então, resumidamente, do que se trata a minha pesquisa? Já falei um pouco disso no post Entre cérebros e pulmões, mas como vários meses já se passaram, obtive um avanço interessante nos resultados. Basicamente, a cada experimento, eu uso cerca de cem pedacinhos de pulmões de ratinhos para testar diferentes doses de certas substâncias. Comecei com etanol (o famoso álcool etílico). Passei muitas semanas estudando o efeito dessa substância nos pulmões, visto seu uso extremamente difundido no mundo moderno. Sei que a primeira coisa em que você pensou foi no álcool dos combustíveis e das bebidas, mas ele está presente em diversas outras coisas, de medicamentos a perfumes, e eu vou te poupar dessa longa lista.

Depois do etanol, parti para outras substâncias de nomes longos e esquisitos, daquelas que sempre aparecem nas provas de química da professora Beth Zink. Os produtos testados não são escolhidos aleatoriamente: todas essas substâncias fazem parte de uma lista elaborada pela União Europeia, que está desenvolvendo esse projeto em conjunto com a Harvard University.

Caixas e mais caixas, devidamente identificadas, onde os pedacinhos de pulmão serão congelados

Caixas e mais caixas, devidamente identificadas, onde os pedacinhos de pulmão serão congelados

Na prática, o que eu faço é banhar os mini pedacinhos de pulmões em diferentes concentrações de cada produto. Depois, analiso a vitalidade de cada pedacinho, que funciona como um pulmão inteiro. Parece tranquilo, não é mesmo? Pois bem, as aparências enganam. Um experimento desses leva o dia inteiro, das 9 da manhã às 7 da noite, e é composto por várias etapas que não detalharei. No dia seguinte, vem a parte mais importante, a análise matemática dos resultados, e então preciso montar planilhas, tabelas e gráficos. Gosto muito dessa parte, principalmente quando os resultados se mostram conforme o esperado. Essas análises são sempre acompanhadas de uma certa apreensão, já que elas ditam os próximos passos da pesquisa, que são discutidos com meus supervisores. Apesar de ser uma quantidade considerável de trabalho, há bastante flexibilidade  e eu faço os meus próprios horários no laboratório, de modo que, organizando-me bem, eu tenho infinitamente mais tempo livre aqui do que eu tinha na Faculdade de Medicina ou no Band.

Hora de analisar os dados!

Hora de analisar os dados!

Eu gosto muito de todo esse processo de produção científica, mas estaria mentindo se dissesse que amo de paixão. Sinto muita falta de estar no hospital, do contato humano, do olho no olho, de rir e chorar com cada paciente, e essa saudade me faz ter ainda mais certeza da minha escolha de cursar medicina. Talvez no futuro, depois de formada, eu trabalhe tanto no hospital, atendendo pacientes, quanto no laboratório, fazendo ciência, mas tenho certeza de que não serei exclusivamente pesquisadora. Por um ano, tenho aprendido muito fazendo só pesquisa, mas por uma vida inteira, creio que me frustraria.

De qualquer modo, deixando de lado a divagação sobre o futuro e voltando ao presente ensolarado, uma coisa é certa: termino todos os dias de trabalho deitada nesse gramado, antes congelado, em frente à Harvard Medical School, sentindo o sol na pele e saboreando o simples prazer de existir. Depois de um longo inverno, é impossível haver melhor recompensa!

O tal gramado, onde eu costumo ler livros e escrever os posts para o blog

O tal gramado, onde eu costumo ler livros e escrever os posts para o blog

Até a próxima!

 

Carol Martines
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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“A ciência serve para nos dar uma ideia de quão extensa é a nossa ignorância”. (Félicité Robert de Lamennais)

Síndrome Pré-Intercâmbio 

Olá! Que bom ter você por aqui mais uma vez!

Hoje, a nossa conversa será um pouco diferente. Tenho compartilhado as coisas que vivi nos últimos meses aqui em Boston, mas a experiência do intercâmbio é muito mais ampla do que isso… Com você, os sintomas da Síndrome Pré-Intercâmbio.

O intercâmbio começa muito antes do fechamento das portas do avião rumo ao desconhecido. Semanas, meses antes. Começa antes mesmo do recebimento da notícia da aprovação. Voltemos no tempo.

Primeiro, eu quis muito, mais do que qualquer outra coisa. Prestei o processo seletivo. Não passei. Prestei de novo um ano depois. Quando recebi a notícia da aprovação, eu, que sou sempre tão cheia de palavras, não sei descrever o que senti. Só sei que tive a honra de, 3 anos e meio depois de ouvir meu pai chorando ao telefone quando eu proferi as tão sonhadas palavras “Passei na USP”, repetir a mesma situação, só que dessa vez “Passei em Harvard”.

Recebi a notícia em junho, e só viajaria em janeiro do ano seguinte. “É muito tempo,” eu dizia para mim mesma.

Os meses seguintes foram acompanhados da agonia de conseguir os fundos para tal. Outrora, o Ciências Sem Fronteiras, programa federal de intercâmbios, financiava o programa USP-Harvard. Contudo, com a crise que avassalou os cofres públicos brasileiros, tive que buscar meios alternativos para garantir meu sustento por um ano em Boston e o pagamento das exorbitantes taxas de Harvard. Quando enfim percebi que conseguiria a tão almejada bolsa de estudos, comecei a sonhar de verdade. Sonhar não, comecei a passar noites em claro de tanta empolgação pelo que estava por vir. Era setembro. “Ainda falta muito tempo.”

Então, chegou outubro. E a Síndrome Pré-Intercâmbio me atacou de vez. Comecei a me dar conta de que eu de fato ia embora. Do Brasil. De São Paulo. De casa. E as coisas que antes eram tão triviais e mundanas de repente ganharam um brilho especial. Passei a ficar horas admirando a Avenida Paulista na volta da faculdade, ao invés de andar às pressas. Passei a chegar em casa e apreciar a luz entrando pela janela, iluminando aquele lugar tão aconchegante, ao invés de ir direto para o meu quarto. Passei a saborear mais o bolo de banana da Vovó, o macarrão da Nonna e o acqua sale da minha mãe. Passei a reparar mais nos desconhecidos no metrô, seus olhares, suas expressões, ao invés de passar o trajeto todo com os olhos pregados no WhatsApp. Passei a me demorar mais nos aromas, nos sabores, nas cores, nos sons e nas pessoas. Ah, as pessoas! Eu realmente estava fazendo aquilo? Como eu poderia estar abrindo mão, ainda que temporariamente, da minha família, do meu namorado, dos meus amigos? E mais… foi naquele momento que eu percebi que eu nunca havia sido tão feliz. Eu sempre fui muito muito feliz, mas aquele momento era especial. Tudo estava exatamente onde deveria estar na minha vida, em todos os âmbitos possíveis. Como eu poderia abandonar tudo aquilo rumo ao incerto? “Ainda falta muito tempo”, eu me fazia acreditar, a fim de controlar a minha ansiedade.

Do que você está disposto a abrir mão em nome de um sonho?

Do que você está disposto a abrir mão em nome de um sonho?

Menti tão bem para mim mesma que, por muitas semanas, fui capaz de só extrair as coisas boas dessa minha nova perspectiva de vida. Eu apreciava tudo muito mais intensamente. Eu amava a vida ainda mais. Eu resolvi todas as minhas pendências, fiz as pazes com quem poderia haver algum mal entendido. “Eu tenho muito tempo.”

Então, chegou dezembro, e com ele veio o Natal, e o Ano Novo, e num piscar de olhos, já era 2017. E a ansiedade que eu havia conseguido esconder de mim mesma explodiu como nunca em forma de medo. Eu senti medo. Sim, eu sou dramática, mas tenho certeza que qualquer um que já passou por isso em algum momento se perguntou: como estará tudo quando eu voltar?

Eu, que tanto quisera, que tanto sonhara, genuinamente não queria mais sair do Brasil. Não queria fazer a mala (agradeço imensamente à minha irmã por ter me ajudado com isso), não queria entrar no avião. Eu ficava imaginando como seria chegar em Boston, em meio a um inverno impetuoso, e me sentir completamente sozinha. Medo, eu senti medo. E, quer saber? Tudo bem sentir medo, tudo bem admitir seu medo. “Ainda tenho muito tempo.”

Só que dessa vez, eu não tinha. O tempo se esgotara. Um dia antes do meu voo, fui almoçar na casa da minha avó Teresa, que carinhosamente preparou meu prato preferido como despedida. O medo já se transformara em desespero a esse ponto. Comecei a mexer em algumas fotos antigas para me distrair dos meus fantasmas internos. Eis que eu me deparo com a foto abaixo, e minhas mãos começam a tremer.

2-2

O homem em destaque na foto é meu avô materno Arturo, minha maior saudade desde sua partida em 2009. Meu avô, de onde quer que esteja, foi a única pessoa que conseguiu me dizer o que eu precisava ouvir naquele momento: “A vida é bela. Uma vida cheia de coragem é magnífica.” Meus olhos não acreditavam no que estavam vendo. Eu enxuguei as lágrimas, levantei a cabeça, e não senti mais medo. Coragem, menina. O melhor da vida está fora da sua zona de conforto.

No aeroporto, me despedi dos meus pais, irmã e namorado com o coração apertado, mas cheio de coragem. E não chorei mais. Hoje, mais de 5 meses depois, sei que sofri por antecipação desnecessariamente, mas essa intensidade toda faz parte de mim, e não me vejo tentando mudar isso: as alegrias violentas compensam os sofrimentos. Eu adoro minha vida em Boston, nunca pensei que fosse gostar tanto. Me surpreendi demais em todos os aspectos. E sei que minha vida no Brasil me espera do jeitinho que eu deixei. De qualquer modo, se eu sentir medo de novo, tenho certeza que uma voz rouca e com sotaque italiano vai entoar aos meus ouvidos: “A vida é bela. Uma vida cheia de coragem é magnífica.”

Até semana que vem.

Carol Martines
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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”. (Clarice Lispector)

Congresso em Washington, D.C.

Oi, como estão as coisas por aí?

Hoje, quero te contar uma das histórias mais legais que vivi no intercâmbio até agora: a alegria de participar do meu primeiro grande congresso internacional de medicina e, de bônus, o deleite de conhecer a cidade mais majestosa dos Estados Unidos, Washington, D.C.

Tudo começou alguns meses atrás, quando o meu departamento todo na Harvard School of Public Health estava em rebuliço devido à abertura das inscrições para a conferência internacional da American Thoracic Society, o maior congresso dos EUA nas áreas de pneumologia e medicina do sono. Como estudamos pulmões por aqui, é importantíssimo que os pesquisadores do Brain Lab frequentem esse evento anualmente, tanto para aprenderem sobre os últimos avanços da ciência e se atualizarem, quanto para apresentarem suas descobertas mais recentes. Obviamente, eu queria muito participar, mas pulei de susto quando vi o preço da inscrição: cerca de 700 dólares apenas para frequentar o congresso, sem contar todos os custos da viagem, o que no idioma de uma intercambista só quer dizer uma coisa – desista, querida.

Seguindo a recomendação do meu chefe, o Dr. Brain, comecei a explorar o site da American Thoracic Society (ou ATS, para os íntimos) em busca de uma solução. Um congresso dessa magnitude devia ter algum programa de bolsa de estudos, e me aliviei quando descobri que tinha! O único porém é que este funcionava com base em um processo seletivo que contava com muitos candidatos. Me inscrevi e cruzei os dedos, torcendo para que o fato de eu estudar em Harvard me ajudasse a conseguir uma das poucas vagas disponíveis.

Vou parar de fazer suspense, pois você já sabe que consegui a bolsa de estudos, caso contrário não estaria escrevendo sobre isso. Quando recebi o resultado, fiquei muito feliz e comecei a contar os dias para a viagem. Eu já frequentara inúmeros congressos, tanto no Brasil quanto nos EUA, e inclusive já organizara um congresso de Cirurgia Plástica em São Paulo no ano passado. Contudo, a ATS era especial. Nenhuma das conferências anteriores chegava aos pés dela: um público de 17 mil pessoas provenientes de 103 países.

Depois de longas semanas de espera e 11 horas no ônibus, eu finalmente cheguei na capital dos Estados Unidos da América, onde fui recebida por um céu de brigadeiro e um calor delicioso.

Uma Carolina muito feliz e o Capitólio ao fundo

Uma Carolina muito feliz e o Capitólio ao fundo

O congresso da ATS era muito maior do que eu poderia imaginar nos meus melhores sonhos. Durante seis dias, praticamente todos os hotéis da cidade de Washington sediavam o evento, e era realmente difícil decidir para onde ir. Além das aulas de altíssimo nível, há alguns pontos que achei muito interessantes sobre esse congresso dos quais tratarei a seguir.

No primeiro dia, houve um café da manhã de orientação para os alunos do programa de bolsas, a fim de nos ensinar meios de aproveitar ao máximo o congresso. Pode soar inútil, mas quando se está pela primeira vez em uma conferência na qual mais de 50 aulas, exibições e discussões estão ocorrendo simultaneamente, é muito importante ter alguém para te guiar e te mostrar quais eventos são mais adequados para uma aluna do quinto ano de medicina.

Entrada da ATS

Entrada da ATS

Ademais, a cada um dos alunos do programa foi designado um fellow: um médico formado que já terminara a residência e estava estudando para se especializar ainda mais. O fellow era escolhido com base nos interesses acadêmicos de cada aluno, e o objetivo era proporcionar a troca de experiências sobre medicina. Achei bem interessante esse sistema, e nunca tinha visto algo parecido no Brasil.

Uma das incontáveis salas de aula da ATS

Uma das incontáveis salas de aula da ATS

Outro ponto que eu gostaria de ressaltar foi o Women´s Forum, um almoço festivo composto majoritariamente por mulheres em que é premiada a ”médica do ano” no julgamento da ATS. A vencedora de 2017 foi a Dra. Redonda Miller, a primeira mulher presidente do Hospital Johns Hopkins. Seu discurso ao receber o prêmio foi inspirador: ela falou da carreira de sucesso, das dúvidas e das ambições que ela tem como médica, sem deixar de lado a dona de casa, a mãe e a esposa. Ouvi o discurso da Dra. Miller e foi impossível não pensar que é assim que eu quero ser no futuro.

Depois dos compromissos acadêmicos de cada dia, eu me esbaldava nos parques, construções, museus e paisagens impressionantes de Washington. Que cidade de tirar o fôlego!

Washington Monument, no coração da cidade

Washington Monument, no coração da cidade

A Casa Branca não poderia faltar

A Casa Branca não poderia faltar

Dica turística: se você ama museus tanto quanto eu, Washington é o seu lugar. O Instituto Smithsonian possui 19 museus em Washington, de História do Índio Americano a Galerias de Arte, de História Afroamericana a História Natural. Todos ficam abertos 364 dias por ano e são totalmente grátis.

Lincoln Monument à luz do dia...

Lincoln Monument à luz do dia…

...e ainda mais lindo à noite

…e ainda mais lindo à noite

Em suma, foram dias absolutamente incríveis. Assisti aulas ministradas por grandes nomes da medicina do mundo todo, conheci pessoas muito interessantes e aprendi mais do que eu posso expressar. Tudo isso em uma cidade deslumbrante e imponente, que eu sempre sonhara em conhecer.

Até semana que vem!

 

Carol Martines

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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante.” (Paulo Coelho)

Do Band (à USP) a Harvard 

Oi, como estão as coisas no Brasil?

Com o passar dos meses, estamos cada vez mais perto do fim do ano, e concomitantemente, dos temidos vestibulares. Como o intuito do blog é dividir não apenas as experiências do intercâmbio, mas também tudo que me trouxe até aqui, a partir de agora farei alguns posts respondendo às várias perguntas que tenho recebido sobre vestibular (não só para medicina). Te convido a participar também, mandando e-mail com suas dúvidas para dobandaharvard@gmail.com. Que fique claro que nada descrito abaixo é uma verdade absoluta, são simplesmente coisas que deram certo para mim, e que podem dar certo para você também!

Quando é a melhor hora para começar a estudar para o vestibular?

Desde o 6o ano (ou 5a série, como era “na minha época”), eu sempre estudei, não exatamente para o vestibular, mas para as provas do Band, o que no fim dá na mesma. Comecei a pensar no vestibular no 1o ano do Ensino Médio, mas só estudei especificamente a partir do começo do 3o. Aqui, não há segredo: se você presta atenção às aulas, faz as lições de casa e estuda direito para as provas, você já está estudando para o vestibular.

Carol, no 3o ano, você estudava todos os dias?

Pergunta complexa. Eu sempre prestei muita atenção às aulas. Fazendo isso, 70% do estudo já está feito. Mas é prestar atenção MESMO, com o celular desligado embaixo da mesa. Na minha época (me sinto uma anciã falando assim), não existia WhatsApp ou Instagram, então era mais fácil resistir à tentação. Uma coisa eu garanto: a combinação aula + Facebook não funciona.

Quando eu chegava em casa, eu só fazia as lições que haviam sido passadas e dava uma olhada rápida nas aulas do dia para fixar o conhecimento e ver se tinha ficado alguma dúvida, a fim de esclarecê-la no dia seguinte. Aqui, queria dar uma dica importante: não fique com dúvidas! Os professores estão ali justamente para isso. Você nunca sabe se a sua dúvida vai ser uma pergunta da FUVEST…

Meu “terceirôô”, na tradicional festa junina do Band

Meu “terceirôô”, na tradicional festa junina do Band

Como era sua rotina no 3o ano, Carol?

Eu montei um cronograma de estudos muito bem definido, e recomendo que você faça o mesmo. Às segundas, a aula acabava às 12h30, então usava o resto do dia para fazer as lições. Às terças e quintas, eu tinha o famoso “integral” (ou seja, aulas das 7h às 18h30), e depois disso, treino de handebol, que foi uma das minhas principais válvulas de escape nesse ano tão estressante. Dica: faça um esporte que te dê prazer durante o 3o ano, cerca de 2 vezes por semana. Sedentarismo vai fazer mal não só para o seu corpo, mas também para o seu rendimento acadêmico!

Uma saudade: handebol no Band

Uma saudade: handebol no Band

Depois dos deliciosos treinos de handebol com a Profa. Camila (saudades!), eu chegava em casa perto das 21h e não estudava: era banho, jantar e cama. Não adianta, nem o meu cérebro nem o de ninguém funcionam depois de 12 horas de aula.

Às quartas, depois da aula, eu fazia o curso de aprofundamento para Medicina, e chegava em casa às 18h. Aproveitava o resto do dia para estudar.

Sexta-feira era o meu dia livre, então depois da aula ficava com o namorado, amigos ou família, fazendo algo que me fizesse descansar, seja cinema, parque, ou qualquer coisa do gênero.

Sábado e domingo não eram dias livres! Acordava umas 8h e aproveitava para colocar toda a matéria e as lições em dia. Saía para almoçar ou jantar fora ocasionalmente, mas a maioria do dia era composto por estudos. Sendo muito direta, acho importante compartilhar com você uma coisa que eu sempre tive muito clara na minha mente: eu só queria fazer o vestibular uma vez, então tinha que ser bem feito. Falhar significaria ter que repetir essa rotina intensa de estudos por mais um ano, e isso definitivamente não estava nos meus planos.

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Você fez todas as apostilas de revisão?

Não, e não se sinta culpado se você também não fizer: realmente é muuita coisa. Mas eu fiz a grande maioria, e o importante não é o quanto você faz, e sim quais você faz. Priorize os temas em que você tem mais dificuldade, e as matérias que serão mais cobradas dependendo do curso que você escolher. Por exemplo, eu amava História, mas não tinha muita dificuldade e a matéria não seria muito cobrada no vestibular para medicina, então dava uma olhada rápida mas atenta nas apostilas e fazia algumas das questões, mas não todas.

Carol, você descansou nas férias de julho ou ficou estudando o mês inteiro?

Descansei, claro! Uma semana sem estudar nas férias de julho só vai te fazer bem. Aproveitei para comemorar o fim do Ensino Médio com meus amigos. Até hoje, meus melhores amigos são os que eu fiz no Band, então não poderia perder essa oportunidade única de aproveitar alguns dias de sol com eles.

Acima, em 2009. Abaixo, em 2015. Melhores amigas até hoje, desde a 6a série.

Acima, em 2009. Abaixo, em 2015. Melhores amigas até hoje, desde a 6a série.

Maaaas… depois de voltar da viagem, aproveite as férias para estudar também. Eu não estudava o dia todo, mas passava pelo menos umas 6 horinhas debruçada sobre os cadernos e livros.

Antes de terminar o post, de volta a Harvard, só quero dividir com você uma novidade: você lembra-se de quando contei toda animada que havia conhecido o Jorge Paulo Lemann? Pois bem, acabei de assistir uma palestra ministrada por um tal de Ban Ki-moon, oitavo secretário geral da ONU!! Uma oportunidade inacreditavelmente indescritível. E o que isso tem a ver com o resto do post? Pois bem, são momentos como esse que me fazem ter certeza que estudar para ir do Band à USP a Harvard valeu MUITO a pena!

Cartaz anunciando a presença de Ban Ki-moon em Harvard

Cartaz anunciando a presença de Ban Ki-moon em Harvard

Até semana que vem!

Carol Martines
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Carolina Martines estudou no Colégio Bandeirantes de 2006 até 2012. Em 2013, foi aprovada em primeiro lugar na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), mas optou por cursar medicina na Universidade de São Paulo (USP). Depois de concluir os quatro primeiros anos da faculdade no Brasil, foi aprovada em um programa que a Faculdade de Medicina da USP tem com a Harvard University. Este programa seleciona estudantes que terão o privilégio de ser alunos de Harvard por um ano, trabalhando com pesquisa científica.

“Pense, acredite, sonhe e atreva-se.”. (Walt Disney)