Vamos nos permitir

Da série por que fazer intercâmbio?, vem ai para nos permitir.

Como típica aluna bandeirantina, que fez Bandeirantes e tem espírito de Bandeirantes, eu não consigo não estar estudando, não estar rendendo ou produzindo algo que eu julgue importante.
No Band, era SEP, espanhol, handebol, sempre primeira sala, trabalho voluntário e o que aparecesse. Semana de provas significava não viajar, sair pra jantar com meu pai ou fazer a unha com a minha mãe. Significava acordar as 4 da manhã para dar aquela revisadinha pré prova. No terceiro colegial era o aprofundamento do Almeida, os plantões para ter certeza de que estava dando meu máximo, simulados no sábado e correção dos simulados aos domingos para garantir que eu aprendesse aquilo que eu tivesse errado.
No cursinho o ritmo se manteve. Aulas de manhã, engolir as apostilas a tarde, academia a noite para garantir que eu não tivesse um surto psicótico por estresse (e para entrar bonita na faculdade haha). A noite, estudava mais um pouquinho e lia jornal para estar atualizada, o que também é importante pro vestibular.
Na faculdade não foi muito diferente. Mesmo nas épocas mais tranquilas da faculdade, eu sempre me cobrei muito, não me permitia estar fazendo nada.

essa sou eu normalmente: post it com as coisas que eu quero decorar

essa sou eu normalmente: post it com as coisas que eu quero decorar

 

Esse post não tem como objetivo dizer aos alunos do terceiro para estudarem mais, não mesmo. Cada um tem seu ritmo, seus limites, e só quem pode dizer isso é a própria pessoa. É muito importante se respeitar, respeitar sua individualidade e não pirar porque o colega ao lado estudou uma hora a mais no dia anterior do que você. De novo, as necessidades de cada um e o quanto cada um pode dar é muito pessoal e deve ser respeitado. Cabeça saudável é importantíssimo para um bom desempenho no vestibular.

Feito esse parênteses para deixar claro meus objetivos aqui, posso voltar ao post.

Cada intercâmbio é de um jeito, mas em geral, a vida é menos acelerada do que para quem vive em são paulo e faz Bandeirantes.
No meu caso, é só um ano e eu interpreto como uma pausa. Pausa na vida louca de São Paulo, pausa no trânsito das 6 da tarde. Pausa no acordar as 5 da manhã. Pausa na semana de provas. Pausa no ritmo frenético que eu, típica bandeirantina, sempre levei. E, não, eu não estou tendo um ano de várzea, mas estou tendo um ano diferente. E, assim, percebendo que me permitir ir pro bar toda quinta feira, tomar minhas cervejas e não estar rendendo quando eu poderia na sexta-feira, faz parte. Percebendo que tudo bem passar o sábado de pijama comendo cookies na frente da tv.

essa sou eu hoje: de pijama , a toa, comendo cookies

essa sou eu hoje: de pijama , a toa, comendo cookies

Percebendo que, de vez em quando, tudo bem passar a tarde vendo Netflix ao invés de estar estudando. Repito, eu sempre me exigi muito, em todos os aspectos da vida, mas, “saindo da ilha” como eu já disse antes, estou aprendendo a me permitir, a não exigir mais do que eu posso. Lógico que eu sempre sai, me diverti mas, em alguns momentos, me exigi mais do que eu poderia dar. Não da pra levar tudo tão a ferro e fogo sempre. Sim, foco é necessário, e é muito fácil perder o foco (fico devendo um post sobre isso), mas é necessário, de vez em quando, let it go, perder o foco e se permitir. Afinal, se não for hoje, vai ser quando ? Quando seu paciente estiver te esperando no meio da madrugada? Quando voce tiver que ir ao trabalho afinal você tem uma família para sustentar? Quando você tiver um filho pequeno que precisa de você ? A hora é agora e o intercâmbio está, ao mesmo tempo, me mostrando e me permitindo isso, me ajudando a desbitolar um pouco. Como a Syl me disse um dia “até mesmo na moderação é necessário ter moderação”. Vamos nos permitir !

Vestibular e humildade

Pois é, pessoal…

Para aqueles que estão no 3o ano, ja já começam as provas dos vestibulares (desculpa, sei que vcs já sabem e não precisam que ninguém fique lembrando disto toda hora hehehe)…Para aqueles que estão no 1o e 2o ano, ainda não tem vestibular (talvez alguns treineiros), mas certamente é algo que terá de ser encarado nos próximos anos e é bom saber o que fazer para estar preparado, não é mesmo? Mas independente do ano ou do vestibular, eu queria deixar um conselho pra vocês que recebi de um colega meu do Band no meio do 3o ano que me marcou muito e que foi (e ainda é) muito útil pra mim…ele me disse: “humildade, Sylvia… humildade é a palavra”. Quando ele me disse isto eu não entendi muito bem a profundidade daquele conselho. Acabou que naquele ano ele passou direto na Pinheiros e eu não (fiz 1 ano de cursinho). Fui entender (e estou entendendo) o significado de tão bom conselho apenas algum tempo depois e acredito que o fato de eu não ter incorporado isto antes de prestar vestibular de certa forma influenciou meu desempenho nas provas. É por isto que considero importante compartilhar estes aprendizados com os alunos antes da batelada de provas começar.

É inegável o fato de que os alunos do Band fazem parte de uma parcela muito privilegiada da sociedade. É um Colégio forte, com tradição, excelentes professores, que fornece recursos e oportunidades quase que inesgotáveis. Porém, é caro também. Por conta disto, geralmente a maioria dos alunos que tem condições de estudar no Colégio tem uma estrutura familiar bem estabelecida por trás que favorece e valoriza a educação. Tomando um panorama geral, há um favorecimento de todo um “suporte de vida” por trás do estudo de um aluno do Band, o que favorece a qualidade do seu estudo e o impulsiona a conseguir se sobressair intelectualmente. Ou seja, o aluno do Band em geral tem muitos outros recursos “extra-curriculares” que o suportam no seu desenvolvimento no estudo. Mas isto pode criar na cabeça do aluno uma falsa impressão de que ele é mais do que outros…mais inteligente, mais bem capacitado, um “vencedor” da competição. Porém, além da lição de “saber perder” (dado que certamente não vamos vencer sempre), é também importante que cada um tenha a noção e a sensibilidade em enxergar que nem todo mundo foi igualmente favorecido para que conseguisse chegar intelectualmente onde você chegou e que o desenvolvimento intelectual não faz uma pessoa melhor ser que outra. Algumas pessoas, mesmo sem tantas condições quanto um aluno do Band, conseguem chegar ainda mais longe intelectualmente e, mesmo que não cheguem, isto não faz de ninguém melhor do que ninguém. Vale lembrar também que não é apenas o retorno financeiro que é importante como reconhecimento de esforços e dons. Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais os alunos do Band têm de prestar atenção e tomar cuidado para manter a humildade. Não é difícil nem incomum enganarmos a nós mesmos ao nos “deixar convencer” que somos melhores que outras pessoas baseado-nos apenas no bom desempenho acadêmico. É sempre bom reiterar que isto não é tudo na vida.

Não apenas em relação aos outros, mas um “ego inflado” também pode prejudicial a si mesmo. Neste quesito, pode ser que haja uma certa confusão entre os princípios que envolvem a “humildade em relação a si mesmo” e a “autoconfiança”. Deixe-me explicar melhor tomando um exemplo prático: quando vamos prestar vestibular, fazer uma prova ou mesmo desempenhar alguma tarefa no âmbito profissional, às vezes é difícil saber exatamente qual postura tomar em relação ao que achamos de nós mesmos e o desafio que temos a enfrentar. Se não acharmos que somos capazes (falta de “autoconfiança”), ficamos inseguros e não conseguimos completar a tarefa com excelência ou até mesmo desistimos. Se acharmos que somos capazes demais (falta de “humildade”), subestimamos os desafios e corremos o risco de não nos preparamos o suficiente. Qual é a melhor postura então? A resposta seria: ter humildade E autoconfiança. Eles, a princípio, podem parecer “conflitantes”, mas não são. A questão está na definição de humildade e autoconfiança…observe que a aplicação da humildade não é “não acharmos que somos capazes”, nem a aplicação da autoconfiança é “acharmos que somos capazes demais”. Na verdade, temos que ter autoconfiança no que se refere a estar seguros em darmos sempre o melhor que pudemos e, ainda assim, temos que ter humildade no que se refere a reconhecer que, ainda assim, não sabemos tudo e que sempre há algo a mais a aprender.

E porque EU estou falando isso? Fiz Band, um colégio considerado de “elite”. Passei no vestibular de medicina da USP (um dos mais concorridos do país). Estou em um intercâmbio em Harvard (uma das melhores universidades do mundo). Estes são os fatos que todos podem ver. Tá, e o que isto quer dizer? Vou começar falando o que isto não quer dizer: não quer dizer que eu seja mais inteligente do que ninguém, nem uma pessoa melhor, nem algo intangível. E o que isto quer dizer? Quer dizer que, graças a Deus, eu fui uma pessoa muito privilegiada por receber muitas oportunidades e aproveitei. Sim, estudei bastante. Mas foram me dadas incontáveis fontes de recurso e apoio para tal. Eu não teria chegado até aqui se não tivesse me esforçado, mas apenas o meu esforço e minha capacidade não seriam suficientes se estivessem isolados. Além disso, sempre – digo, SEMPRE – vai ter alguém com desempenho melhor que o seu em algo que você se considera bom. Ou seja, a conclusão disto tudo: devemos, sim, fazer a nossa parte e nos esforçar para fazer tudo o melhor que pudemos…mas devemos também reconhecer que nem sempre “apenas” isto é suficiente e que ter tantas oportunidades e recursos de suporte não faz de nós pessoas melhores que as outras. Devemos achar um equilíbrio de modo a não subestimarmos as nossas provas e os nossos desafios, nem superestimarmos a nós mesmos. Portanto, aprendamos todos desde já (seja no 1o, no 2o, no 3o ano, em qualquer outra fase da vida ou área de atuação): humildade… humildade é a palavra!

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana…” Carl Jung

06

Maratona, Baseball, Futebol Americano ou o que estiver por vir..

Como eu já disse antes, eu amo esportes. Todo e qualquer tipo. No Brasil, sempre acompanhei futebol e joguei handebol, mas não muito mais do que isso, acho que por falta de oportunidade mesmo. Adoro competições universitárias, topo jogar qualquer coisa para qual me convidarem, mas acompanhar mesmo, só o Brasileirão e a Libertadores. Jogar mesmo, só handebol no colégio e na faculdade.

Aqui em Boston, é muito diferente.

Já fiz um post sobre esporte universitário, sobre como é valorizado, bem organizado, levado a sério.

O esporte profissional é assim aqui também.

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Fenway Park

No Brasil, quando perguntam “Pra qual time você torce?” a resposta que vem na cabeça das pessoas, geralmente, é um time de futebol. Aqui não. Pode ser de baseball, de futebol americano, hockey, basquete, até mesmo futebol. Cada época do ano é temporada de um esporte. Agora, por exemplo, está acontecendo a de baseball e está para começar a de futebol americano. E as pessoas realmente tem mais de um time.

Fora isso, é muito legal o clima dos jogos. Posso falar melhor sobre o de baseball, que é o esporte que eu venho acompanhando, já que o Fenway Park (casa do Red Sox, time de Boston) fica do lado da minha casa.

A rua da entrada do jogo é fechada próximo ao horário de início e só entra na rua quem apresenta o ingresso. É tudo MUITO organizado e muito pacífico. Adoro ver como torcedores de times rivais torcem lado a lado. Isso torna o esporte muito mais bonito. Isso, também, facilita que os jogos sejam locais para famílias, crianças, idosos. É um clima de festa, muito gostoso mesmo.

No dia do superbowl, evento que faz os EUA pararem, o clima era o mesmo. Os Patriots, time de Boston, estavam na final, então fomo assistir num bar. Lotado, cheio de torcedores fanáticos. Até aí, como a gente esta acostumado. Mas o curioso é que metade de um bar torcia pros Pats e a outra metade, pro time rival, e não aconteceu uma briga sequer.

Outro ponto que eu acho diferente aqui em Boston (e talvez isso seja uma particularidade da cidade e não do país) é o quanto as pessoas valorizam se exercitar. Tem academias por toda parte, mas até ai, nada de novidade também.

Pista pública de atletismo

Pista pública de atletismo

O que me chama a atenção é a quantidade de atividade outdoor que as pessoas praticam. Talvez por ter muitos parques, muitas pistas públicas de atletismo.. Talvez por que quando o inverno vai embora, todo mundo queira aproveitar o dia lá fora.. Talvez pela segurança que possibilita que as pessoas fiquem do lado de fora sem medo.. Talvez seja um pouco de tudo, não sei ao certo.

Sei que tem gente correndo (e fazendo outras atividades) na rua, nos parques, na beira do rio em qualquer hora do dia (ou da noite, sério, sempre tem gente correndo de madrugada).

 

Sei também que Boston é famosa pela sua maratona, uma das mais importantes do país (ao lado da de Chicago e NY) e, também, do mundo. É a maratona mias antiga; sua primeira edição foi em 1897, um ano depois do primeiros jogos Olímpicos, em 1896 em Atenas. Talvez por isso, também, corrida seja algo tão praticado aqui. Tem até um tour histórico da cidade feito correndo, chama “Freedom Trail Run”. A Freedom Trail é um tour tradicional que passa a pé pelos pontos históricos da cidades, e a Freedom Trail Run é uma alternativa a ela, na qual as pessoas correm com um guia de um ponto histórico até o outro.

Freedom Trail Run

Freedom Trail Run

Enfim, amo essa cidade e amo o quanto ela tem me proporcionado conhecer novos esportes. De stand up paddle no Charles River, a corrida no parque, de jogo de Baseball do Red Sox aos jogos dos times de Harvard, estou adorando tudo…