Mas, afinal, o que o Band tem a ver com isso ?

Preciso começar dizendo que esse post aqui não é pra puxar saco de ninguém. É pra mostrar como o Band foi importante para eu estar onde eu estou e ser quem eu sou.

Muitas vezes, a gente não percebe o potencial que uma coisa tem até ter um certo distanciamento psicológico dessa coisa. Por exemplo, todo mundo já ouviu alguém dizer que precisou terminar o namoro pra perceber que gostava do namorado né? Então, é mais ou menos isso que eu quero dizer. O Band proporciona pra nós muitos recursos e, às vezes, a gente, enquanto aluno, não percebe o quão longe eles podem nos levar. Às vezes, percebemos, o que é ótimo. Às vezes, não, o que é completamente normal também. E eu sei que não é um post que vai fazer essa mudança, mas só de plantar uma sementinha eu já fico feliz (papo de velho né? Haha).

Entrei no Band na oitava série e, logo no primeiro dia (na verdade já na visita que eu fiz ao colégio), percebi que era um lugar diferente, privilegiado, especial. Como já disse, conheci meus melhores amigos, tive algumas das melhores aulas (sim, as melhores), conheci meu namorado, professores incríveis. Conheci também, os kits de quimíca e física. Grandes, chatos (sim, eu achava chato) e intermináveis kits de química e física. Kit pão, kit fralda, kit fungo, kit eletricidade (eles ainda existem?),… Me perguntava para que mais eles serviam a não ser ocupar espaço no meu guarda roupas, afinal, para que eu precisaria saber fazer cimento? Mesmo achando chato, eu ouvia e confiava no Almeida explicando o porquê de ser importante fazermos pão e no meu pai me dizendo a importância de se construir uma campainha. Acreditava mas não entendia por completo. Hoje, aqui em Harvard, eu percebo o quanto fez diferença.

Meu projeto (estou devendo um post explicando sobre ele) tem uma parte de engenharia bem forte e, se não fosse pelo kit de física, eu nunca teria usado um multi amperímetro antes (o que eu uso aqui é igualzinho o que vinha no kit!).

Não fosse o laboratório de biologia, eu penaria pra usar os microscópios aqui. Certas coisas podem parecer obvias para nós, que tivemos a oportunidade de mexer no microscópio diversas vezes, mas acreditem, tem aluno que chega aqui sem saber ajustar a lente.

No Band, conheci os professores dos quais sempre me lembrarei, que marcaram minha vida pessoal e academicamente.rabelo

Física era meu pesadelo até aparecer o Rabelo. O Rabelo, com sua paciência inesgotável, fazendo até os alunos que não entediam nada de física passarem a entender e, mais do que isso, a gostar. E, hoje, cá estou em um laboratório de engenharia.

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Português, que já era minha paixão, se tornou ainda mais depois de ter aula com a Karla e Cátia, me ensinando a diferença entre porquê e porque, sujeito e predicado, adjunto adverbial de tempo e de lugar.. E, hoje, estou aqui escrevendo o blog e tentando ao máximo colocar as vírgulas nos lugares certos (releva uns errinhos tá professora? É um blog! Haha)

Aprendi a ter disciplina e dedicação treinando handebol toda terça e quinta e jogando aos finais de semana. Aprendi, com a professora Camila, a diferença entre um atleta e um jogador, diferença essa tão prezada pelos times universitários por aqui.

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Aprendi que professores estão lá para servir de exemplo, para nos inspirar e motivar. E como motivaram.. A cada dia me sentia mais disposta a dar tudo de mim, em todas as esferas, depois das homéricas histórias do Oliveira.

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Aprendi a administrar meu tempo e lidar com a liberdade que o Band me dava. Aprendi muito, me diverti muito, chorei muito quando acabou.. Faculdade é ótimo, mas o Band (ahhhh, o Band), o Band é especial. Aproveitem, tudo, o kit chato de física, a aula de redação, o risoli do Kaeru (ele ainda está por lá?), as aulas de história incríveis do Pérsio, as revisões e muito mais que o Band com certeza já inventou e eu nem sei. Aproveitem tudo, tudo e mais um pouco. O Band formou a pessoa que eu sou hoje. O Band participou da minha formação acadêmica, mas muito mais do que isso. o Band tem uma parcela importantíssima em cada uma das minhas conquistas (pessoas, profissionais, esportivas). Obrigada Band, serei eternamente grata!

Por que fazer intercâmbio ?

Muita gente se pergunta o porquê de fazer um intercâmbio. Eu, inclusive, me perguntava muito. Como eu já falei aqui, eu demorei até perceber que intercâmbio era pra mim. Na verdade, intercâmbio é pra qualquer um, essa é minha opinião. E por que fazer? Minha resposta pra essa pergunta é: por que não fazer? Qualquer um tem pelo menos um pouco (na verdade muito, mas estou tentando não defender o intercâmbio com unhas e dentes pra não parecer parcial) pra ganhar vivendo um tempo fora do seu país.

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meu calendário

Tem o aspecto pessoal, pra mim, um dos mais (talvez o mais) marcante até agora. E não é só de lavar as minhas roupas, arrumar minha cama e fazer minha própria comida que eu to falando (mas tenho que admitir que já foi um salto grande pra mim). To falando de administrar o dinheiro da bolsa que eu recebo pra ter dinheiro pro aluguel, celular, luz, internet. To falando de lembrar de todas essas datas e pagar tudo no prazo. Mas ainda assim, é bem mais do que isso. É olhar um calendário em branco pelos próximos 12 meses e saber que é você o responsável por preenchê-lo. E digo isso tanto da forma metafórica quanto da literal. É você que vai organizar as viagens, porque não tem mais final de semana na praia com os primos. É você quem decide o que fazer no seu final de semana, porque não tem mais almoço de domingo na casa da avó. É você. Só você. É você quem anota quando as contas de luz, gás, internet, aluguel vão vencer. O calendário começa em branco e é a melhor sensação do mundo “povoá-lo” do seu jeito, só do seu e de mais ninguém. Sentir que você é realmente dono do seu próprio nariz.

Se isso não é suficiente como argumento a favor do intercâmbio (não estou tentando convencer ninguém a nada, só mostrar o quanto um intercâmbio pode te proporcionar), tem ainda o aspecto profissional.

Estar em um ambiente novo (seja lá para fazer colegial, faculdade, pós graduação, curso de línguas, de dança, ou qualquer outra coisa) é muito estimulante. Quando você sai do ambiente que você está acostumado, só pela próprio estímulo de sair da zona de conforto, já há um crescimento. Por melhor que um professor, um técnico, um amigo, um restaurante seja, mudar agrega. Agrega porque você conhece novos pontos de vista, novas ideais, novos gostos. Não necessariamente o novo técnico é melhor, mas com certeza ele tem alguma coisa nova a te oferecer. E mesmo que seja pior, é ótimo também. Muitas vezes (muitas mesmo) a gente só aprende errando, vendo coisas ruins.

Fora isso, estar em uma instituição como Harvard é se sentir no centro do mundo. É incrível a variedade de aulas que temos, o nível dos palestrantes que vem pra cá, a seriedade com que tudo é encarado, a pontualidade para início e término das atividade. Tudo de mais atual está acontecendo por aqui. Ao mesmo tempo, tudo de mais antigo se pode achar por aqui. Na biblioteca (ah, a biblioteca.. Ela merece um post inteiro só para ela), quadros que mostram como as cirurgias eram feitas no começo (sem assepsia, sem anestesia), nas salas de aulas, os artigos mais recentes das melhores revistas científicas sendo discutidos. Salas conservadas dos primórdios de Harvard para se ver como era estudar aqui muitos anos atrás convivem com os livros mais atuais dos temas mais atuais. É incrível. É muito estimulante. E, pra completar, Harvard ainda fica do lado do MIT, onde você encontra a biblioteca lotada num domingo a noite (e não modo de dizer).

sala conservada na biblioteca de Harvard

sala conservada na biblioteca de Harvard

Pode não ser Harvard, nem o MIT, mas tem muitas instituições boas mundo a fora com muito a nos ensinar. E nós, temos sempre muito a aprender, disso eu tenho certeza. Aprender a fazer frango com macarrão (infelizmente, também não é modo de dizer), aprender sobre como as nanopartículas da impressora podem impactar nossa saúde (quando eu falo que tem aulas sobre tudo eu não estou exagerando), aprender que sempre podemos aprender mais, que não há um limite.

Sobre a Color Run e o Sistema Métrico

Neste domingo eu e a Carol participamos de uma corrida muito divertida chamada “Color Run”. A corrida funciona assim: durante o percurso, os corredores passam por estações nas quais há voluntários da corrida jogando uma espécie de pó colorido que, quando em contato com a pele, assume a aparência de tinta. O resultado é que, ao final da corrida, todos estão super coloridos e tiveram uma boa diversão enquanto corriam os 5km. Ou melhor: enquanto corriam as 3.1 milhas. Isto me faz lembrar o quanto é recorrente este tipo de “correção métrica” que temos que fazer aqui.

Antes da corrida...todos limpinhos...

Antes da corrida…

 

...depois da corrida!

…depois da corrida!

Acredito que quem tem vontade de fazer um intercâmbio (especificamente nos EUA) deve ter a noção de como pode ser desafiador se adaptar a medidas às quais não está acostumado. Quanto você mede em polegadas? Qual é o seu peso em libras? 50 graus Fahrenheit é quente ou frio? Andar 5 milhas é muito longe? Dirigir a 60 milhas/hora é ok? Um sapato número não 7 é para crianças? E calça, uma número 27 não é ridiculamente pequena? Esses são os tipos de perguntas com as quais você se depara no seu dia-a-dia… e por mais que você queira continuar a saber sua altura em metros, o seu peso em quilos e o número do seu sapato na casa dos 30, não tem jeito. Por mais que seja possível ficar digitando no Google toda hora para fazer as conversões, são tantas as vezes que você tem que ficar pesquisando que uma hora você finalmente se rende e decide aprender as novas medidas. Confesso que ainda tenho que pesquisar muitas coisas no Google (o que às vezes pode se tornar meio cansativo e desprático)…Mas com o tempo você vai se acostumando. Hoje eu já tenho uma noção de que 50 graus Fahrenheit é meio frio (10 graus Celsius), que andar 5 milhas é sim longe (8Km), que dirigir a 60milhas/hora é mais do que eu pensava (96.56Km/h), que meu sapato é número 6,7-7 e não é de criança (36 no Brasil) e que minha calça 27 não é ridiculamente pequena (38 no Brasil). E não adianta você querer falar as coisas nas medidas brasileiras porque os americanos não vão entender, definitivamente. Neste caso, quem tem que se adaptar somos nós à cultura deles, não é mesmo?

Pois é…este é um tipo de “detalhe” com o qual eu nunca imaginei que fosse me deparar enquanto eu estava no Brasil. Mas é tão recorrente no meu dia-a-dia que considero importante de ser ressaltado, a ponto de merecer um tema no blog para quem pensa em morar fora. Dá pra sobreviver sem saber disto de antemão, mas é bom estar preparado para tudo o que pode enfrentar (mesmo para os pequenos detalhes), não é mesmo?

Lots of Fun in Color Run!

Lots of Fun in 3.1 miles of Color Run!