Harvard Extension School

Para quem se interessa em saber como funciona a estrutura de um curso na Harvard, aqui vai um exemplo/depoimento de como tem funcionado para mim.

Como nosso programa de pesquisa nos permite entrar como alunas de Harvard, é possível que façamos cursos da Harvard Extension School.

Existem cursos dos mais diversos temas…desde psiquiatria, anatomia, fisiologia e biologia celular, até mesmo cursos considerados mais “alternativos” (em relação à medicina), como línguas estrangeiras, ou física (com eletromagnetismo, circuitos e óptica), negócios, etc. Os cursos são pagos, mas valem a pena. Afinal, são um investimento na formação acadêmica, no currículo, na experiência de vida e, afinal, não é sempre que estarei aqui e terei oportunidade para fazer mais um curso desses.

Eu escolhi fazer um curso de Imunologia, já que amo este tema desde que tive a matéria no 2o ano da faculdade. O curso, com duração de 1 semestre, consiste em aulas presenciais com “lectures” e “sections” (explicadas adiante) e duas provas escritas, uma no meio e outra ao final do curso. Há a opção de fazer o curso como Graduate Student ou como Non Graduate Student. A diferença (além do preço) é o nível de exigência: alunos “Graduate” são mais exigidos, dado que são considerados como alunos de medicina da Harvard Medical School. Escolhi fazer o Graduate mesmo, dado que quero me empenhar bastante e aproveitar a oportunidade.

Como funciona o curso: as aulas são divididas em “lectures” e “sections”:

Anfiteatro da Harvard Extension School onde são ministradas as "Lectures" (aulas teóricas) de Imunologia

Anfiteatro da Harvard Extension School onde são ministradas as “Lectures” (aulas teóricas) de Imunologia

As “lectures” são aulas teóricas com todos os alunos do curso em um anfiteatro grande da Harvard Extension School. Nestas “lectures” são ministrados os conteúdos básicos do curso de Imunologia, com duração de 2h (e um intervalinho de 10-15min). Para quem não pode (ou não quer) comparecer às lectures, não tem problema pois elas também são disponibilizadas online. É até bom esta disponibilidade online pois mesmo que você vá na aula mas não tenha conseguido entender algum ponto específico na hora, dá pra rever depois pela internet. Impressão subjetiva: eu achei as aulas bem “impessoais”… não sei se é porque estou acostumada a ir à faculdade no Brasil com todos os meus amigos e conhecer todo mundo… mas aqui os alunos não pertencem todas à uma mesma turma que assiste às aulas todos juntos como no Brasil…não é como se eu fosse “uma estranha no ninho”… parece que todos são “estranhos no ninho”. O máximo que você vê são grupos de 2 ou 3 pessoas que se conhecem… O resto dos alunos parece estar tão “avulso” quanto eu.

Sala de aula onde são ministradas as "Sections" (discussões de artigos científicos)

Sala de aula onde são ministradas as “Sections” (discussões de artigos científicos) dos Graduate Students

Já as “sections” são um pouco diferentes…são mais interativas e mais exigentes. Nelas, os alunos são divididos de acordo com o tipo de exigência escolhido do curso: Graduate ou Non Graduate (como explicado anteriormente). As atividades dos Graduate Students (que eu participo) consistem em discussões de artigos científicos atuais e práticos sobre o tema que foi desenvolvido na “lecture” do mesmo dia. Os papers são disponibilizados previamente na internet para que, na hora da “section”, todos já tenham lido e já tenham substrato para a discussão. Toda “section” há 3 ou 4 alunos que são responsáveis por preparar previamente uma apresentação em power point com cerca de 1h de duração, explicando todo o artigo para os outros alunos. Interrupções com dúvidas e comentários são frequentes e permitem uma melhor elaboração e desenvoltura do tema. Há, nestas “sections”, um “monitor” (que entende bem sobre o tema) especificamente preparado para guiar as discussões, acrescentar dados extra, tirar dúvidas e salientar os pontos mais importantes. Impressão subjetiva: apesar de ser um ambiente mais interativo que as “lectures”, ainda assim é um ambiente bem sério (eu diria até austero) e sem espaço para distrações ou mesmo descontrações. Não sei se é porque o curso ainda está no começo e o pessoal ainda não se conhece… Não estou reclamando, afinal, nada mais justo pois é um curso sério e um tema sério, com pessoas sérias. Mas sinto falta de um pouco do “tempero brasileiro” no comportamento das pessoas.

Em relação às provas, são cobrados conteúdos tanto das “lectures” quanto das “sections” e é acrescida à nota final a nota de apresentação do artigo científico na “section” pela qual você ficou responsável. É uma responsabilidade e tanto. Exige comprometimento e dedicação. Mas traz um enorme prazer fazer algo que você gosta, não é mesmo?

Alunos estudando e lendo os artigos enquanto esperam a "Section" começar

Alunos estudando e lendo os papers enquanto esperam a “Section” começar

Apesar de estarmos nos divertindo bastante em Boston, aqui não é só diversão e nem só trabalho duro. Tem muito estudo, muito trabalho, mas um tanto de diversão também. Basta saber administrar o tempo, ter disciplina, organização e força de vontade que dá pra encontrar um bom equilíbrio entre vida social e estudo. Como diz o orientador de um de meus amigos aqui: “Work HARD. Play HARDER” (“trabalhe duro; mas se divirta ainda mais”). Nada que todo aluno Bandeirantino não aprenda a fazer.

 

 

Mas por que pesquisa ?

Muita gente me questiona o porquê de eu querer passar 1 ano fazendo pesquisa.
A verdade é que no Brasil não se dá o devido valor à pesquisa. Nas universidades, pesquisa é opcional e, mesmo quem escolhe fazê-la como uma disciplina optativa, não passa muito mais de um período por semana em laboratórios. Muito se fala aos calouros: “pesquisa é maçante”, “o legal é estar com paciente e não no laboratório”, “é uma atividade solitária” e assim por diante.

Minha opinião sobre pesquisa é muito diferente.
Pesquisa é a base do desenvolvimento de tudo, inclusive da Medicina. É por meio de pesquisas que as verdades de hoje deixam de ser verdades amanha. É graças à pesquisa que doenças sem cura hoje passam a ter cura amanhã.

Sim, é verdade que provavelmente não somos nós que vamos mudar as verdades de hoje ou achar a cura do câncer. Então no que pesquisa pode, como alunos, nos ajudar?

Ajuda a desenvolver o raciocínio crítico, a entender os muito papers que a vida de médico exige que você leia (acreditem vocês vão ler muitos); exige que você saiba trabalhar em equipe, desenvolve sua liderança, sua paciência e disciplina. Trabalho de laboratório é realmente cansativo: tem que saber seguir protocolos, respeitar os horários de experimentos, ser detalhista. Ao contrário do que os outros falam, exige muito trabalho em equipe, e com profissionais de outras áreas que não só a médica. Exige proatividade: muitos problemas sem resposta surgem no meio do caminho. E todas essas são qualidades exigidas não só para quem que ser médico, mas para praticamente qualquer profissional de sucesso. Além de poder ser muito divertido, é claro: obter resultados bons é muito gratificante, trabalhar com animais, para mim, é o máximo (ajuda muito a entender anatomia, fisiologia e a praticar técnicas cirúrgicas), entre muitas outras coisas.

Dito isso, deem valor para os laboratórios do Band, para os kits de física, de química, kit pão, etc; eles nos colocam num patamar acima e, às vezes, pode ser difícil perceber isso ainda quando aluno.

 

 

Conferences and Seminars

Aqui em Harvard, uma coisa que eu percebi que é muito “popular” e valorizada, são as Conferences e Seminars. Nada mais são do que aulas ministradas por alguém especialista no assunto (e quando eu digo especialista por aqui, eu quero dizer especialista mesmo).

esse é um dos murais onde as conferences são anunciadas, mas nós também recebemos por email e tem uma lista no site

esse é um dos murais onde as conferences são anunciadas, mas nós também recebemos por email e tem uma lista no site

Vem gente do mundo todo falar e assistir e é aberto para todos os ‘Harvard students’. O mais legal é que um aluno de medicina pode assistir uma Conference sobre direito, economia ou qualquer outro tema que interessar. Inclusive, os temas são muito diversos e vão muito além de engenharia/direito/medicina/etc.

Semana passada, a Syl foi em uma sobre o Ebola e, foi lá, que ela conheceu o Tim, nosso novo amigo holandês, aquele que veio comer aqui em casa no dia da nevasca.

IMG_4289

Amanhã por exemplo, uma das muitas que vai acontecer chama ” Public Health Systems in Rural India: challenges and innovations”. É, tem de tudo mesmo gente!! Inclusive temas sociais como “preventing sexual assault”, LGBTQ, “A celebrating of Black Activism”. Tem até workshops: sexta tem uma sobre como lidar com o seu tempo e, semana que vem, vamos em um sobre liderança.

essa é a sala de aula da conferência que eu fui hoje. Mesas em dupla, como as do band, retroprogetor na frente, também como no band (é assim ainda né?), mas com a diferença de que tem 2 lousas, ambas nas laterais da sala

essa é a sala de aula da conferência que eu fui hoje. Mesas em dupla, como as do band, retroprojetor na frente, também como no band (é assim ainda né?), mas com a diferença de que tem 2 lousas, ambas nas laterais da sala

Além desse caráter multidisciplinar e integrativo, outra diferença que eu percebi foi no modo como as palestras são ministradas. Na Pinheiros, pelo menos, as palestras, de modo geral, costumam ser mais passivas para o lado de quem está assistindo: você ouve e levanta a mão no fim caso tenha uma dúvida. Aqui não: todo mundo interrompe o tempo inteiro, sem levantar a mão mesmo. Achei um pouco esquisito no começo, mas no fim conclui que é muito bom porque a aula acaba caminhando para o lado que os alunos demonstram interesse.

Enfim, pessoal, só queria compartilhar um pouquinho com vocês sobre a nossa vida acadêmica, e não só sobre nossa adaptação, como temos feito.

Beijos

Dificuldades na neve…

A neve nos traz algumas de dificuldades… Desde as mais bobas (como não saber fazer um boneco de neve), até as mais difíceis (como a locomoção e o perigo dos carros – eles muitas vezes deslizam e não conseguem frear, atropelando alguns pedestres). Enfim, aqui vai um vídeo da parte “divertida” da neve, mas que mostra um pouco do quanto pode atrapalhar uma simples caminhada.

Sobre perceber que a louça suja não fica limpa por conta própria

Ai você chega em casa, depois de 12 horas de trabalho no laboratório, com fome, porque a lanchonete fechou as 4 e porque qualquer coisa do lado de fora não é perto o bastante para fazer valer os -15 graus que está fazendo.

IMG_4320Você só quer tomar um banho, jantar e descansar. Eis que então sua louça está suja, sua cama, bagunçada e a geladeira, vazia. É ai que você percebe que a louça não se lava sozinha, a cama não se auto arruma e as comidas não vem andando da prateleira do mercado até sua casa.
Uma das desvatagens de morar sozinho.
Em compensação, você também percebe que sua cama pode ficar bagunçada pelo tempo que você bem entender, afinal sua mãe não está aqui para reclamar (mãe, amanhã eu arrumo, prometo!!!), e que quinta também pode ser dia de pedir uma pizza.
Salve o intercâmbio 😉

E o futebol brasileiro continua lindo…

Pois é, pessoal… Pra quem leu o último post de “Apresentação”, viu o quanto o futebol é uma paixão arraigada em todos os brasileiros, inclusive em muitas mulheres (como eu)…

Apesar de na última Copa do Mundo aparentemente o nosso querido futebol ter deixado um “pouco” a desejar (uns “7 a desejar” na verdade), nós ainda assim levantamos a bandeira do Brasil aqui nos EUA.

Time dos brasileiros na academia da Harvard Medical School

Time dos brasileiros na academia da Harvard Medical School

Eu e um grupo de amigos brasileiros (que estão no mesmo programa que eu e a Carol estamos entre a FMUSP e a HSPH) descobrimos que é possível bater uma bolinha na academia da Harvard Medical School. Obviamente, não poderíamos perder esta oportunidade.

Mesmo com a nevasca, saímos de casa com a maior empolgação. No início, fomos recebidos com um pouco de “estranhamento” e “reserva” pelos americanos que estavam jogando. Na verdade, eles já tinham times fechados e não queriam que entrássemos na “panelinha” deles. Mas depois de alguma persis(insis)tência e algumas carinhas do “gatinho do Shrek”, eles finalmente abriram um espacinho para nós. E não se arrependeram…Acharam o máximo. Depois, por email, até se referiram a nós como “(awesome) Brazilian players” e reorganizaram os times deles em função de nós.

Ficamos muito felizes com tudo isso. Tanto por representarmos bem o Brasil no futebol quanto simplesmente por podermos jogar mesmo.

Como foi o caminho até chegar na academia! (Comparem o tamanho das "dunas" de neve com o ônibus e o carro à direita)

Como foi o caminho até chegar na academia! (Comparem o tamanho das “dunas” de neve com o ônibus e o carro à direita)

Diante destas experiências futebolísticas, cheguei a algumas conclusões:

  • Americanos não sabem jogar futebol muito bem. Sei que sempre há a exceção à regra, mas no geral eles são meio desengonçados e não sabem driblar. São surpreendidos pelo “jeitinho brasileiro” e pelo “gingado” dos dribles.
  • Americanos são, a princípio, fechados. Preconceito, sim, existe. Mas é, sim, possível que eles nos tratem de igual pra igual, e não como “cidadãos de segunda classe”. Nada que um pouco de carisma e esforço não conquiste.
Como tive que sair de casa para enfrentar a nevasca e ir jogar bola

Como tive que sair de casa para enfrentar a nevasca e ir jogar bol

  • É extremamente difícil encontrar chuteiras de futsal pra comprar. Fui a umas 8 lojas e não encontrei uma do meu tamanho. Há muitas chuteiras para campo mas, para futsal, não. Menos ainda nos tamanhos femininos (36 no Brasil). Tive que comprar uma de tamanho infantil pela internet…e só encontrei depois de muito procurar! Se americanos já não jogam futsal direito, quem dirá americanas.
  • Vale a pena sair na nevasca pra jogar bola. Sempre vale a pena ir jogar bola. Em toda e qualquer circunstância. Sempre vale a pena ser insistente. Sempre vale a pena colocar “a cara pra bater” (ou, no caso, colocar “a bola pra rolar”) e quebrar preconceitos. Sempre vale a pena se esforçar para interagir com outras culturas.

Estou aguardando ansiosamente toda esta neve ir embora para poder jogar no campo a céu aberto. Quero conhecer mais pessoas, quebrar mais preconceitos, mostrar aos americanos que os brasileiros – sim – ainda detêm o futebol e também podem acrescentar muito mais a eles. De igual pra igual.

Afinal, o Brasil pode até ter seus defeitos… mas não é só o Rio de Janeiro que “continua lindo”…

Holanda, EUA, Brasil..

Hoje aconteceu mais uma nevasca e, mais uma vez, tudo fechou. Aproveitamos então para convidar o Tim, um amigo holandês que fizemos, para jantar aqui em casa. Conhecemos ele, semana passada, em uma das muitas palestras abertas aos alunos de Harvard.

Essa é uma das vantagens de ser intercambista: conhecer gente do mundo todo. Tenho a impressão de que, por estar em Harvard, isso é potencializado. Tem gente de todos os lugares que vem para Boston por causa da faculdade.

No meu laboratório, trabalho com uma indiana e um grego. Minha vizinha é francesa. Na academia conheci um marroquino. E assim vai..

Apesar de ter que ouvir coisas como “achei que no brasil se falasse brasileiro” ou “tem certeza que português não é igual ao espanhol?” é muito legal ganhar stroopwafels vindos direto da Holanda e poder entender um pouquinho sobre o hinduísmo.

 

IMG_3974

Não importa o quão frio esteja, sempre pode ficar mais

Nevasca

Acordar. Colocar 2 meias. 2 calças. botas de neve. 2 blusas. 2 casacos. protetor de orelhas. gorro. cachecol cobrindo o rosto. 2 luvas. Sair de casa.

Essa tem sido nossa rotina por aqui antes de ir para qualquer lugar. E, pra completar, chegando nos lugar ainda temos que tirar e guardar metade dessas coisas.

Desde que chegamos, já enfrentamos 2 nevascas, aulas canceladas, transporte público paralisado, ruas desertas, cidade em estado de alerta, e tudo isso por causa da neve. É meio difícil para nós que não estamos nem um pouco acostumados né ?

Aos pouquinhos, vamos descobrindo que tem luvas especiais para o touch screen do celular funcionar, que existe protetor de orelhas, que tem cachecóis certos para enrolar no rosto, que tem botas que não deixam que seu pé molhe mesmo enfiando até o joelho na neve e assim por diante. E, por enquanto, vamos aproveitando as paisagens lindas que a neve nos proporciona (principalmente quando se está olhando de dentro de um lugar quentinho!) e seguindo na missão de construir um boneco de neve (é bem mais difícil do que eu achava !!) .

E essa foi minha primeira lição por aqui: não importa quantas camadas de roupa você ponha, quanto a temperatura está na casa de 2 dezenas negativas como vem estando, não será suficiente.

Beijos e até mais

 

Apresentação

E aí, galera do Band, tudo bom?

Meu nome é Sylvia e, assim como a Carol, eu também gostaria de me apresentar. Afinal, se alguém quiser acompanhar o nosso dia-a-dia aqui deve, antes de tudo, saber quem somos nós.

Em linhas gerais: tenho 22 anos, sou uma estudante de Medicina da USP e estou passando 1 ano num programa de intercâmbio em Harvard. Mas, além de disso, eu digo com o maior prazer que fui aluna do Colégio Bandeirantes.

Agora que vocês já sabem o básico, de agora em diante, vou fazer em forma de perguntas e respostas para tornar a leitura mais dinâmica, ok?

Você se formou em qual ano no Band? Como foi sua trajetória dentro do Colégio? 

Estudei no Bandeirantes de 2007 a 2009, correspondendo do 1o ao 3o ano do colegial. Minhas classes foram 1C1, 2B1 e 3B1 e participei do curso de Aprofundamento de Medicina no 3o ano. Eu e a Caroline estudamos juntas na 2B1 e 3B1 e muitos dos meus amigos do Band estão estudando comigo também na faculdade; isto torna as amizades ainda mais próximas e de longa data, o que eu considero como muito importante e me traz muita satisfação.

De que maneiras você acredita que o Band ajudou você em sua vida acadêmica?

O Bandeirantes sem sombra de dúvida foi um dos degraus essenciais para que eu chegasse até aqui. Posso dizer que o Band fornece todas as ferramentas e oportunidades para que o aluno se torne um “aluno COMPLETO”.

Além de me ensinar o “know how” no estudo, a lidar com competitividade e pressão (que, goste ou não, são impostas a todo e qualquer aluno que se submeta ao vestibular), o Band também foi quem me ofereceu uma bagagem excelente no que se refere às matérias e experiências PRÁTICAS. Os laboratórios me forneceram um diferencial muito grande dentro da faculdade… Por exemplo, enquanto haviam alunos que nunca sequer tinham nem manejado um microscópio, eu e meus colegas que também estudaram no Band já sabíamos lidar com praticamente tudo. Além disso, também me auxiliou muito o fato de, já no Band, eu ter tido experiências como, por exemplo, ver no concreto como ocorre a refração da luz e como ocorrem os processos físicos e químicos (e não apenas no papel). Isto me proporcionou uma compreensão muito mais aprofundada sobre os mecanismos biológicos, o que permite com que eu realmente entenda os processos dentro da medicina e consiga raciocinar em cima disto, e não apenas decore, como muitos de meus colegas na faculdade. Até mesmo os “kits” e experiências que são propostos aos alunos me trouxeram aprendizados inesquecíveis, desde como funciona uma geladeira por dentro, como fazer pão e tijolo, até como produzir uma pilha de relógio e brincar com estroboscopia. Estes aprendizados são impagáveis e acrescentaram não somente nos aspectos acadêmicos e de “matéria pro vestibular”, mas também pessoal e de vida!

Pode-se ver nitidamente que ter feito Band me deu um diferencial para todas as etapas: aprender profundamente os assuntos propostos para um aluno do Colegial, saber lidar com a pressão e competitividade da prova do vestibular, ter um excelente desempenho dentro da faculdade e, lá, me destacar a ponto de ser selecionada para um seleto programa de pesquisa em Harvard.

Digo, pois, com propriedade, o quanto o Band forma não apenas bons alunos, mas também jovens culturalmente e pessoalmente enriquecidos. O Band oferece tudo para um “aluno completo”, basta saber aproveitar as oportunidades e ferramentas que são oferecidas.

-Como surgiu o interesse em estudar Medicina?

Minha principal inspiração para estudar Medicina foi minha mãe. Ela também fez Band e também cursou medicina na Faculdade de Medicina da USP. É nítida a paixão da minha mãe pela medicina e pelas pessoas. Percebi, por ela, o quanto a medicina é uma nobre profissão que permite ajudar muitas pessoas, além de oferecer um campo de atuação muito vasto. A medicina é um “sacerdócio”. Quem é médico, não é médico apenas dentro do consultório ou do hospital, mas é também médico dentro da família, no metrô, na rua, em TODO lugar, para TODAS as pessoas. Isto despertou meu interesse e me inspirei nela. Hoje, vejo o quanto eu sou igualmente apaixonada pelo que faço, assim como ela é, e gostaria de servir de inspiração para outras pessoas, assim como ela serviu de inspiração para mim.

O que você faz de atividades extra-curriculares?

Inglês – Fiz um curso de inglês em uma escola particular e terminei quando eu estava no 2o ano do Band.

Futebol – Comecei a jogar futebol aos 8 anos e nunca mais parei. Já joguei nas “escolinhas” do SPFC, depois do Palmeiras, do Corinthians e, por fim, no time da Faculdade. Apesar de ter tido muita vontade, eu nunca me federei pois eu tomei a decisão de me dedicar também ao estudo mas, mesmo assim, o futebol sempre foi um hobbie e uma paixão constante durante toda a minha trajetória.

Música – Fui apresentada ao maravilhoso mundo da música quando comecei a tocar violino aos 6 anos. Semelhantemente ao futebol, eu também nunca mais parei. Desde então, toquei em vários recitais de música e entrei para a Orquestra da Primeira Igreja Batista da Penha (da qual eu participo até hoje). Também me dediquei um pouco a aprender piano e violão, apesar de não ter desenvolvido tanto os dois quanto o querido violino. Música sempre foi algo que mexe muito comigo. Inclusive, quando fui prestar vestibular, fiquei bem em dúvida se deveria prestar música ou medicina e considerei seriamente os dois. Decidi seguir profissionalmente pelo caminho da medicina, mas não abandonei o caminho da música e levo-a como hobbie e paixão até hoje.

Quais são as expectativas em relação ao período de pesquisa que realizará em Harvard?

Minhas expectativas podem ser divididas em duas vertentes: a acadêmica/profissional e a pessoal. Como expectativa acadêmica/profissional eu almejo iniciar e concluir um projeto científico para, ao final do ano, escrever um artigo e publicá-lo em uma revista científica de alto impacto, o que trará um excelente diferencial para meu currículo. Além disto, procuro também tomar novos parâmetros como referência, por exemplo, para comparar a prática e a pesquisa médica nos EUA com a maneira com que isto é feito no Brasil. No âmbito pessoal, meus objetivos são ter contato com pessoas e culturas diferentes) para “abrir a cabeça” e ter novos parâmetros de comparação), adquirir mais maturidade e independência (principalmente no manejo financeiro e na administração da própria casa) e, claro, experimentar o tão famoso “American Way of Life”.

Sobre o que se trata a pesquisa que realizará em Harvard? Qual é a relação com a sua graduação no Faculdade de Medicina da USP?

Eu terei como mentor de pesquisa o chefe do laboratório chamado Joseph Brain, cujo campo de pesquisa envolve o tema de gases inaláveis e nanopartículas. São estudados a deposição das partículas inaladas no trato respiratório e os mecanismos de defesa envolvidos nestes processos, particularmente os macrófagos pulmonares (que são células de defesa que mantêm o pulmão limpo e estéril).

A pesquisa é uma das áreas mais importantes da medicina, pois permite o progresso científico. Por conta disto, a graduação em medicina tem a experiência em pesquisa como um dos parâmetros para avaliar os alunos, sendo isto levado em consideração inclusive para a prova de residência médica (especialização). A pesquisa que realizaremos em Harvard, além de propiciar um diferencial ao nosso currículo, certamente nos trará uma excelente bagagem de experiência com pesquisa e aprimorará nossa prática médica a médio-longo prazo.

O que pretende compartilhar com os futuros leitores do blog?

Acredito que o blog possa acrescentar muito aos alunos que, assim como nós, desejam fazer um intercâmbio. Pretendemos compartilhar o nosso dia a dia, não apenas expondo os fatos, mas incluindo as nossas sensações, emoções, impressões, conquistas e dificuldades. Será como um “diário de bordo”, no qual contaremos um pouco de todos os aspectos do nosso cotidiano aqui. O que pretendemos é servir como inspiração das partes boas ou como desilusão das partes ruins (rsrs), para que aqueles que querem fazer um intercâmbio saibam mais ou menos o que esperar, desde o melhor até o pior dos cenários.

-Finalizando…

Bom, pessoal… acredito que este tenha sido um bom parâmetro inicial para que nossos leitores nos conheçam e saibam o que esperar dos nossos próximos posts.

Esperamos que gostem e qualquer dúvida ou curiosidade, podem entrar em contato conosco que responderemos com o maior prazer.

=)

Alunas criam blog sobre intercâmbio em Harvard

Caroline Cirenza e Sylvia Rodrigues, ambas formadas em 2009 no Band, estudam Medicina na USP e participarão de pesquisas em Harvard este ano. Durante este período, elas compartilharão suas emoções, impressões, experiências, conquistas e dificuldades por meio do blog “Do Band a Harvard”.

blog_bandharvard

Sylvia e Caroline

Ao longo da formação no Band, Caroline e Sylvia sempre se destacaram academicamente, participando de diversos cursos extracurriculares como o SEP (Special English Program), o Aprofundamento em Medicina, o voluntariado no Hospital das Clínicas e até no time de Handebol do Band.

As estudantes da Faculdade de Medicina da USP realizarão pesquisas na Universidade de Harvard, nos EUA. Sylvia realizará uma pesquisa de aprofundamento envolvendo o tema de gases inaláveis e nanopartículas. Nesta área, são estudados a deposição das partículas inaladas no trato respiratório e também os mecanismos de defesa envolvidos nos processos de limpeza no pulmão. Já Caroline, também fará pesquisas na área de nanopartículas, entretanto na área de caracterização toxicológica in vitro e em vivo, ou seja, em células e em animais.

O Band está apoiando essa importante jornada acadêmica das estudantes em Harvard. Helena de Salles Aguiar, Gerente de Planejamento Estratégico do Band, destacou a importância do Colégio em incentivar atitudes empreendedoras como essa. “Divulgar este projeto é algo muito interessante para que outros alunos persigam seus sonhos”, comentou Helena.

Em relação às expectativas sobre o ano que passarão em Harvard, ambas estão extremamente animadas e ressaltam que a oportunidade terá alta importância em suas carreiras. “Poderei tomar novos parâmetros como referência, por exemplo, para comparar a prática e a pesquisa médica nos EUA com a maneira com que isto é feito no Brasil”, explicou Sylvia.

No blog “Do Band a Harvard”, elas pretendem compartilhar o dia a dia vivendo em uma cidade do exterior como se fosse um “diário de bordo”. “Queremos inspirar os alunos a acreditarem nos seus sonhos e sempre sonhar alto; quando eu entrei no Band achava que seria difícil cursar medicina na USP, mas nunca imaginei estar cursando um ano em Harvard – e agora ambos estão acontecendo”, contou Caroline.

As alunas frisam que somente foi possível alcançar esta oportunidade graças a formação no Bandeirantes. Segundo elas, o Band forma o “aluno completo”. “O Band também foi quem me ofereceu uma bagagem excelente no que se refere às matérias e experiências práticas, como os laboratórios, que fizeram a diferença muito grande dentro da faculdade”, comentou Sylvia.

Confira a primeira publicação feita pelas alunas clicando aqui.